No centro da Via Láctea existe um objeto extraordinário: um buraco negro supermassivo chamado Sagittarius A. Ele está localizado a cerca de 26 mil anos-luz da Terra, na direção da constelação de Sagitário, e possui uma massa equivalente a aproximadamente quatro milhões de vezes a massa do Sol. Apesar de sua enorme massa, ele ocupa uma região relativamente pequena do espaço, concentrando uma quantidade imensa de gravidade em um volume compacto. Esse tipo de objeto não emite luz diretamente, o que o torna invisível aos telescópios ópticos. No entanto, sua presença é percebida pelos efeitos gravitacionais intensos que exerce sobre estrelas e nuvens de gás ao seu redor. Astrônomos conseguiram mapear as órbitas de estrelas próximas e observar que elas se movem em altíssima velocidade, evidência clara da existência desse gigante invisível. Em 2022, foi divulgada a primeira imagem direta de Sagittarius A, mostrando a “sombra” do buraco negro cercada por um anel brilhante de matéria aquecida.
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| Imagem de Sagittarius A capturada pelo Telescópio Horizonte de Eventos em 2017 e divulgada em 2022. |
Os buracos negros supermassivos como Sagittarius A são considerados elementos fundamentais na formação e evolução das galáxias. Acredita-se que praticamente todas as grandes galáxias possuam um buraco negro em seu centro, influenciando a dinâmica estelar e o comportamento do gás interestelar. No caso da Via Láctea, o buraco negro central não está “engolindo tudo” ao seu redor de forma descontrolada, como muitas vezes é retratado em filmes. Na verdade, ele se encontra relativamente calmo no momento, absorvendo pequenas quantidades de matéria ocasionalmente. A gravidade dele é extremamente forte apenas em regiões muito próximas; se o Sol estivesse na mesma posição atual, sua órbita não seria afetada significativamente. Isso mostra que, embora seja um objeto extremo, ele não representa uma ameaça direta para a Terra.
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| Sagittarius A, buraco negro supermassivo do centro da Via Láctea |
O estudo de Sagittarius A ajuda os cientistas a compreender melhor as leis da física em condições extremas, especialmente a teoria da relatividade geral de Albert Einstein. Próximo ao chamado “horizonte de eventos”, o espaço e o tempo sofrem distorções profundas, criando um ambiente onde as regras conhecidas da física são levadas ao limite. Pesquisas contínuas com telescópios de rádio e observatórios espaciais permitem investigar como a matéria se comporta ao cair em direção ao buraco negro. Essas observações também contribuem para entender como jatos de energia e radiação podem ser formados em outras galáxias mais ativas. Assim, o buraco negro no centro da Via Láctea não é apenas um mistério fascinante, mas também um laboratório natural para explorar os fenômenos mais extremos do universo.


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