terça-feira, 13 de julho de 2021

Apesar de alguns problemas, lua de Júpiter, Europa, pode oferecer condições para a vida

Europa, uma das luas de Júpiter, pode oferecer condições para a geração da vida, apesar de “pequenos impactos”, segundo cientistas que trabalham para a Nasa. Os “pequenos impactos” seriam causados por feixes de elétrons e radiação vindas do maior planeta do nosso sistema solar.

Em seu site, a Nasa deu alguns detalhes sobre a lua, assim como sobre a missão “Europa Clipper”, uma sonda que ficará posicionada na órbita da Europa e estudando seu solo. Europa é constituída em sua maior parte de uma crosta de gelo, mas com bolsos de água salgada sob ele – algo que a Nasa pretende investigar para, quem sabe no futuro, enviar missões de veículos exploratórios (rovers).

“É fácil perceber o impacto de detritos espaciais na nossa Lua, onde sua superfície muito antiga é coberta de crateras e cicatrizes”, diz trecho do post. “A gélida lua de Júpiter, Europa, aguenta uma ‘surra’ similar – com uma pitada adicional de radiação super intensa. À medida em que a superfície da lua fria se agita, o material trazido até o topo é eletrizado pela radiação de elétrons de alta energia, acelerados por Júpiter”.

A sonda Clipper, que será lançada para investigar Europa, lua de Júpiter

Segundo um novo estudo da Nasa, a agência estabeleceu um novo modelo que estima a profundidade dessas pancadas em um processo chamado “jardinagem de impacto”. O paper, publicado na última segunda-feira (12) na Nature Astronomy, afirma que a superfície da Europa tem sido penetrada em profundidade média de 30 centímetros (cm) ao longo de dezenas de milhões de anos. “Qualquer molécula que possa se qualificar como uma potencial bioassinatura, o que inclui elementos químicos de origem da vida, poderiam ser afetados nessa profundidade”.

Isso porque esses impactos, em tese, causariam dois efeitos: o primeiro seria o de agitar materiais do interior da lua em direção à superfície, onde a radiação vinda de Júpiter traria alterações a qualquer organismo biológico com ligações químicas mais delicadas. O outro seria o de empurrar material da superfície para o fundo, onde seria misturado com outros materiais presentes sob a crosta.

Por isso a missão Europa Clipper ganha mais e mais importância para a Nasa. De acordo com a sua página oficial, ela será “a mais avançada embarcação espacial enviada para investigar a capacidade de habitação de outro mundo”.

Ironicamente, a Europa Clipper não é uma missão com objetivo de encontrar sinais de vida, mas esse pode ser um efeito bem-vindo.

“[A missão] vai conduzir um reconhecimento detalhado da Europa e investigar se a lua gélida, junto de seu oceano subterrâneo, tem capacidade de sustentar a vida. Entender a ‘habitabilidade’ da Europa ajudará cientistas a melhor compreender como a vida se desenvolveu na Terra, além de trazer potencial para encontrar vida além do nosso planeta”.

O lançamento da Europa Clipper está previsto para outubro de 2024.

domingo, 11 de julho de 2021

Máquina cria pele para pacientes com queimadura

Pesquisadores da Suíça criaram uma máquina que consegue criar um enxerto de pele, a partir de um pedaço de pele do tamanho de uma moeda, que cresce cem vezes seu tamanho original.

A máquina foi criada pela empresa CUTISS e pode permitir que futuramente a pele seja esticada em tamanhos ainda maiores, utilizando bioengenharia.

Segundo a empresa, a máquina, que recebeu o nome denovoGraft, poderá ajudar milhões de pessoas que sofrem ferimentos debilitantes, como queimaduras.

Pele artificial criada por Suíços

Para criar a pele artificial são retiradas células cutâneas saudáveis ​​e não danificadas da vítima que depois são “cultivadas” em laboratório, antes de serem combinadas com hidrogel. A pele criada tem uma espessura de 1mm, que é aproximadamente a largura combinada de nossas camadas de pele naturais.

Embora os testes da fase 2 tenham sido concluídos recentemente, a tecnologia denovoGraft já está sendo usada em tratamentos.

“Esse método de confecção de pele é tão avançado que é a única opção existente no mundo para quem tem uma doença rara ou uma queimadura significativa”, diz a cofundadora e diretora do CUTISS, Daniela Marino, que desenvolveu a máquina. “No momento, podemos multiplicar a área de superfície da amostra original por um fator de 100, e pretendemos, eventualmente, um fator de 500”.

Segundo ela, a máquina pode fazer vários enxertos ao mesmo tempo sem entrada manual, o que oferece a chance de reduzir drasticamente o tempo de produção e os custos.

Espera-se que dentro de dois anos os testes de fase 3 sejam concluídos e a ferramenta estará disponível no mercado europeu.

sábado, 10 de julho de 2021

Startup Relativity Space vai expandir estrutura de impressão 3D de foguetes espaciais

A startup americana Relativity Space anunciou que irá ampliar sua estrutura de impressão 3D de foguetes Terran, a empresa adquiriu um terreno de 93 mil metros quadrados que será usado para ampliar sua linha de produção. O terreno fica localizado no Centro Comercial Goodman, em Long Beach, Califórnia.

O local pertencia a Boeing, onde eram fabricados aviões militares, o último avião C-17 foi produzido lá em 2015. Agora, a área vai englobar um distrito comercial próprio ao lado do aeroporto de Long Beach.

A empresa participará de uma rodada de investimentos recentemente anunciada na casa dos US$ 650 milhões (pouco mais de R$ 3,3 bilhões).

Concepção em 3D da nova estrutura da Relativity Space

A Relativity Space ficou conhecida pela fabricação de foguetes espaciais Terran 1, que são fabricados através de impressão 3D, usando aparelhos conhecidos como “Stargate Printers” (“impressoras stargate”, em inglês). Além de ampliar a produção deste foguete, no local também será fabricada a linha reutilizável “Terran R”, recentemente anunciada.

A ideia da empresa é ser “a disruptora” do processo de fabricação de foguetes, que normalmente exige custos altíssimos e o uso de partes não reutilizáveis. Recentemente, a Relativity Space fechou contrato com a Força Aérea norte-americana para uso de uma nova base de lançamento, em Vandenberg, sul da Califórnia.

Segundo comunicado assinado por seu CEO e fundador, Tim Ellis, a aquisição é “essencial para a escalada de nosso programa Terran R”, ao mesmo tempo que permite à empresa “recrutar talentos inigualáveis na região de Long Beach para se juntarem a nós em nossa missão”.

Com a nova estrutura devem ser criados 2 mil empregos, que serão preenchidos gradualmente nos próximos anos. Atualmente, a empresa tem pouco mais de 400 funcionários contratados – além de terceirizados temporários.

A Relativity Space foi criada há cinco anos e, dentre seus investidores primários, conta com o empresário e apresentador do programa “Shark Tank”, Mark Cuban.

quinta-feira, 8 de julho de 2021

Sonda dos Emirados Árabes faz imagens de auroras em Marte

Os Emirados Árabes Unidos divulgaram fotos de auroras de Marte, as imagens foram capturadas pela sonda Hope (esperança, na tradução). As imagens foram divulgadas na quarta-feira (30). A sonda Hope faz parte da Hope Mars Mission, a primeira missão interplanetária do país árabe.

Foram divulgadas três fotos nas redes sociais da missão, as imagens foram feitas nos dias 22 e 23 de abril e 6 de maio deste ano. Elas foram feitas usando o espectrômetro ultravioleta da sonda e mostram a emissão de oxigênio atômico ao redor de Marte com comprimento de onda de 103,4 nanômetros.

Sonda dos Emirados Árabes fez imagens de auroras em Marte

As imagens foram feitas já no entardecer, no lado escuro do planeta, e mostram pontos de luz, que são auroras discretas.

“Essas imagens excepcionais e sem precedentes mostram a primeira vez que esse fenômeno foi capturado em detalhes de alta resolução”, diz a missão.

“Os pontos de luz que se destacam contra o disco escuro à noite são auroras discretas altamente estruturadas, que traçam onde partículas energéticas interagem com a atmosfera depois de serem afuniladas por uma rede irregular de campos magnéticos da crosta que se originam de minerais na superfície de Marte”, explica o texto de divulgação.

As imagens foram capturadas antes mesmo de a missão começar formalmente e não fazia nem parte das observações planejadas. Como é muito difícil flagrar esse fenômeno as imagens feitas animaram bastante os cientistas envolvidos no trabalho.

Ao contrário da Terra, as auroras em Marte não acontecem apenas nos polos norte e sul. No nosso planeta, elas são ligadas ao campo magnético do planeta. Em Marte, a atmosfera magnética não está alinhada como a terrestre. Segundo Justin Deighan, cientista planetário da Universidade do Colorado e vice-líder científico da missão, lá é como se “pegasse um saco de ímãs e os jogasse na crosta do planeta”.

“Sabíamos que o instrumento teria potencial para isso. Não foi projetado para isso. Mas porque temos uma missão que visa a cobertura global e estamos olhando para Marte de lados diferentes e com muita frequência dentro da atmosfera, isso nos permitiu ter essa medição de auroras discretas, o que é muito emocionante”, explicou Hessa Al Matroushi, líder científico da missão.

sábado, 3 de julho de 2021

Rato considerado extinto há mais de 150 anos é encontrado em ilha na Austrália

Cientistas descobriram que uma espécie de rato chamada de Gould que era considerada extinta ainda existe. O rato era considerado extinto há mais de 150 anos. Ele foi encontrado por pesquisadores em uma ilha na Austrália, de onde é nativo.

Segundo os pesquisadores, o último rato de Gould, um animal endêmico da Austrália, havia sido avistado em meados do século XIX. Mas quando uma equipe estudava o declínio de espécies nativas do país, foi feito um estudo comparativo de DNA que indicou que o rato de Gould não estava extinto, o estudo revelou que hoje ele é conhecido com o nome de Shark Bay.

O rato de Shark Bay é o rato Gould que pensava-se estar extinto há mais de 150 anos

O rato de Shark Bay pode ser encontrado em ilhas ao redor da costa australiana, porém, ele também já esteve presente no continente, antes da chegada dos europeus. Os roedores nativos representam cerca de 41% das extinções de mamíferos da Austrália desde o final do século XVIII.

A bióloga Emily Roycroft destaca a rapidez com que a espécie desapareceu da Austrália continental, ela foi uma das responsáveis pela descoberta.

“É empolgante que o rato de Gould ainda esteja por aí, mas seu desaparecimento do continente destaca a rapidez com que essa espécie passou de ser distribuída na maior parte da Austrália, para sobreviver apenas em ilhas na Austrália Ocidental”, disse. “É um colapso enorme da população”, completou ela.

Roycroft é a principal autora de um artigo sobre roedores publicado na revista Procedimentos da Academia Nacional de Ciências dos Estados Unidos da América e descreveu a descoberta como “chocante”.

Foram feitas análises comparativas entre os ratos de Gould, Shark Bay e outras oito espécies consideradas extintas. De acordo com o estudo, todos esses roedores já tiveram populações enormes e generalizadas, porém, o impacto da colonização europeia foi catastrófico para elas.

Roycroft afirma que a causa foi a introdução de espécies invasoras, como gatos, e a limpeza das áreas para agricultura. “Ainda temos muita biodiversidade a perder aqui na Austrália”, afirmou Roycroft, “e não estamos fazendo o suficiente para protegê-la”.