sexta-feira, 23 de julho de 2021

Estudo diz que lagos na calota polar sul de Marte podem ser apenas ‘miragens’

Um novo estudo indica que uma imagem da capa de gelo que cobre o polo sul de Marte, registrada recentemente pelo orbitador Mars Express, não esconde lagos de água líquida em condições potencialmente habitáveis.

Segundo cientistas, isso exigiria um aquecimento geotérmico contínuo capaz de manter a água em condições subglaciais. O que não confere, já que abaixo do gelo marciano, a temperatura média é de -68 °C, muito além do ponto de congelamento da água.

Camada de gelo no polo sul de Marte

Também seria necessário um reservatório de magma subterrâneo para manter toda a área aquecida, outro cenário improvável, dada a falta de atividade vulcânica em Marte.

A possibilidade de encontrar lagos no Planeta Vermelho foi levantada pela primeira vez em 2018, quando a Mars Express explorou a calota polar sul do planeta. Na época, o orbitador detectou uma série de pontos brilhantes, sugerindo a presença de um grande corpo de água líquida de cerca de 20 km abaixo de uma camada de 1,5 km de gelo sólido.

Pontos coloridos seriam lagos no polo sul de Marte

Carver Bierson, cientista planetário, questiona se há algo mais que poderia explicar os reflexos brilhantes vistos no radar. Em sua pesquisa, ele descreve outras substâncias que podem explicar o ocorrido.

Ele sugere que a refletividade no radar depende da condutividade elétrica do material detectado. A água em seu estado líquido, por exemplo, tem uma “assinatura” bastante distinta, no entanto, o exame das propriedades de outros minerais (como a argila e a salmoura congelada) revelou que outros materiais podem gerar o mesmo sinal observado.

Segundo o Science News, ainda faltam evidências de cenários plausíveis para encontrar água líquida no polo sul de Marte. Portanto, é provável que os dados estejam apontando realmente para a hipótese de que um tipo de processo geofísico criou minerais ou salmouras congeladas na região.

Por fim, os pesquisadores sugerem que se os lagos existissem, eles seriam provavelmente extremamente frios e compostos por 50% de sal, condições nas quais nenhum organismo conhecido poderia sobreviver.

sábado, 17 de julho de 2021

China inaugura maior museu de astronomia do mundo

Nesta sexta-feira (16), a China inaugurou o Shangai Astronomy Museum (SAM), ou Museu de Astronomia de Xangai, que é o maior museu de astronomia do mundo.

Museu de Astronomia de Xangai, na China

O museu gigante tem 39 mil metros quadrados (ou 3,6 campos de futebol) e conta com um planetário e um telescópio solar de 24 metros de altura. Além, é claro, de receber exposições. Além disso, a arquitetura do museu é inspirada nas órbitas dos corpos celestes e na geometria do universo, sem nenhum ângulo reto.

Museu de Astronomia de Xangai, na China

A estrutura do museu foi feita pela empresa de arquitetura Ennead Architects. A empresa venceu um concurso, em 2014, para fazer o projeto do SAM. Thomas J. Wong foi designer-chefe do museu.

Museu de Astronomia de Xangai, na China

O profissional disse que a inspiração para o museu na China veio do “problema dos três corpos”. Essa é uma questão não resolvida da física clássica. A proposta, originária do estudo da mecânica celeste, tem como objetivo estudar as órbitas de três corpos, sujeitos apenas às atrações gravitacionais entre eles.

“A razão pela qual pensamos que o problema dos três corpos era interessante é porque é um conjunto complexo de órbitas. São relacionamentos dinâmicos, em oposição a um círculo simples ao redor do centro. E isso fazia parte da intenção do design — capturar essa complexidade”, explicou Wong, em entrevista à CNN Internacional.

Cúpula de vidro invertida para observação do céu /
Museu de Astronomia de Xangai, na China

Três arcos transmitem a geometria dos cosmos, o Oculus, a Esfera e a Cúpula Invertida. Eles são instrumentos astronômicos usados para rastrear, respectivamente, os movimentos do Sol, da Lua e das estrelas. Dentro, eles abrigam atrações para os visitantes.

O Oculus, que funcionará como uma espécie de relógio solar/
Museu de Astronomia de Xangai, na China
O planetário fica dentro desta esfera /
Museu de Astronomia de Xangai, na China

No Oculos funciona um relógio solar. Ele fica logo na entrada. Há também um planetário submerso, com a parte inferior emergindo do teto, para criar a ilusão de ausência de peso. O museu ainda abriga uma cúpula gigante de vidro no topo do átrio central. Uma rampa em espiral faz com que o visitante olhe em direção ao ápice, para ver o céu sem barreiras.

terça-feira, 13 de julho de 2021

Apesar de alguns problemas, lua de Júpiter, Europa, pode oferecer condições para a vida

Europa, uma das luas de Júpiter, pode oferecer condições para a geração da vida, apesar de “pequenos impactos”, segundo cientistas que trabalham para a Nasa. Os “pequenos impactos” seriam causados por feixes de elétrons e radiação vindas do maior planeta do nosso sistema solar.

Em seu site, a Nasa deu alguns detalhes sobre a lua, assim como sobre a missão “Europa Clipper”, uma sonda que ficará posicionada na órbita da Europa e estudando seu solo. Europa é constituída em sua maior parte de uma crosta de gelo, mas com bolsos de água salgada sob ele – algo que a Nasa pretende investigar para, quem sabe no futuro, enviar missões de veículos exploratórios (rovers).

“É fácil perceber o impacto de detritos espaciais na nossa Lua, onde sua superfície muito antiga é coberta de crateras e cicatrizes”, diz trecho do post. “A gélida lua de Júpiter, Europa, aguenta uma ‘surra’ similar – com uma pitada adicional de radiação super intensa. À medida em que a superfície da lua fria se agita, o material trazido até o topo é eletrizado pela radiação de elétrons de alta energia, acelerados por Júpiter”.

A sonda Clipper, que será lançada para investigar Europa, lua de Júpiter

Segundo um novo estudo da Nasa, a agência estabeleceu um novo modelo que estima a profundidade dessas pancadas em um processo chamado “jardinagem de impacto”. O paper, publicado na última segunda-feira (12) na Nature Astronomy, afirma que a superfície da Europa tem sido penetrada em profundidade média de 30 centímetros (cm) ao longo de dezenas de milhões de anos. “Qualquer molécula que possa se qualificar como uma potencial bioassinatura, o que inclui elementos químicos de origem da vida, poderiam ser afetados nessa profundidade”.

Isso porque esses impactos, em tese, causariam dois efeitos: o primeiro seria o de agitar materiais do interior da lua em direção à superfície, onde a radiação vinda de Júpiter traria alterações a qualquer organismo biológico com ligações químicas mais delicadas. O outro seria o de empurrar material da superfície para o fundo, onde seria misturado com outros materiais presentes sob a crosta.

Por isso a missão Europa Clipper ganha mais e mais importância para a Nasa. De acordo com a sua página oficial, ela será “a mais avançada embarcação espacial enviada para investigar a capacidade de habitação de outro mundo”.

Ironicamente, a Europa Clipper não é uma missão com objetivo de encontrar sinais de vida, mas esse pode ser um efeito bem-vindo.

“[A missão] vai conduzir um reconhecimento detalhado da Europa e investigar se a lua gélida, junto de seu oceano subterrâneo, tem capacidade de sustentar a vida. Entender a ‘habitabilidade’ da Europa ajudará cientistas a melhor compreender como a vida se desenvolveu na Terra, além de trazer potencial para encontrar vida além do nosso planeta”.

O lançamento da Europa Clipper está previsto para outubro de 2024.

domingo, 11 de julho de 2021

Máquina cria pele para pacientes com queimadura

Pesquisadores da Suíça criaram uma máquina que consegue criar um enxerto de pele, a partir de um pedaço de pele do tamanho de uma moeda, que cresce cem vezes seu tamanho original.

A máquina foi criada pela empresa CUTISS e pode permitir que futuramente a pele seja esticada em tamanhos ainda maiores, utilizando bioengenharia.

Segundo a empresa, a máquina, que recebeu o nome denovoGraft, poderá ajudar milhões de pessoas que sofrem ferimentos debilitantes, como queimaduras.

Pele artificial criada por Suíços

Para criar a pele artificial são retiradas células cutâneas saudáveis ​​e não danificadas da vítima que depois são “cultivadas” em laboratório, antes de serem combinadas com hidrogel. A pele criada tem uma espessura de 1mm, que é aproximadamente a largura combinada de nossas camadas de pele naturais.

Embora os testes da fase 2 tenham sido concluídos recentemente, a tecnologia denovoGraft já está sendo usada em tratamentos.

“Esse método de confecção de pele é tão avançado que é a única opção existente no mundo para quem tem uma doença rara ou uma queimadura significativa”, diz a cofundadora e diretora do CUTISS, Daniela Marino, que desenvolveu a máquina. “No momento, podemos multiplicar a área de superfície da amostra original por um fator de 100, e pretendemos, eventualmente, um fator de 500”.

Segundo ela, a máquina pode fazer vários enxertos ao mesmo tempo sem entrada manual, o que oferece a chance de reduzir drasticamente o tempo de produção e os custos.

Espera-se que dentro de dois anos os testes de fase 3 sejam concluídos e a ferramenta estará disponível no mercado europeu.

sábado, 10 de julho de 2021

Startup Relativity Space vai expandir estrutura de impressão 3D de foguetes espaciais

A startup americana Relativity Space anunciou que irá ampliar sua estrutura de impressão 3D de foguetes Terran, a empresa adquiriu um terreno de 93 mil metros quadrados que será usado para ampliar sua linha de produção. O terreno fica localizado no Centro Comercial Goodman, em Long Beach, Califórnia.

O local pertencia a Boeing, onde eram fabricados aviões militares, o último avião C-17 foi produzido lá em 2015. Agora, a área vai englobar um distrito comercial próprio ao lado do aeroporto de Long Beach.

A empresa participará de uma rodada de investimentos recentemente anunciada na casa dos US$ 650 milhões (pouco mais de R$ 3,3 bilhões).

Concepção em 3D da nova estrutura da Relativity Space

A Relativity Space ficou conhecida pela fabricação de foguetes espaciais Terran 1, que são fabricados através de impressão 3D, usando aparelhos conhecidos como “Stargate Printers” (“impressoras stargate”, em inglês). Além de ampliar a produção deste foguete, no local também será fabricada a linha reutilizável “Terran R”, recentemente anunciada.

A ideia da empresa é ser “a disruptora” do processo de fabricação de foguetes, que normalmente exige custos altíssimos e o uso de partes não reutilizáveis. Recentemente, a Relativity Space fechou contrato com a Força Aérea norte-americana para uso de uma nova base de lançamento, em Vandenberg, sul da Califórnia.

Segundo comunicado assinado por seu CEO e fundador, Tim Ellis, a aquisição é “essencial para a escalada de nosso programa Terran R”, ao mesmo tempo que permite à empresa “recrutar talentos inigualáveis na região de Long Beach para se juntarem a nós em nossa missão”.

Com a nova estrutura devem ser criados 2 mil empregos, que serão preenchidos gradualmente nos próximos anos. Atualmente, a empresa tem pouco mais de 400 funcionários contratados – além de terceirizados temporários.

A Relativity Space foi criada há cinco anos e, dentre seus investidores primários, conta com o empresário e apresentador do programa “Shark Tank”, Mark Cuban.