sábado, 18 de julho de 2020

Bonnie e Clyde, o casal de criminosos que tocou o terror nos Estados Unidos na década de 1930

Na primeira metade da década de 1930 a região central dos Estados Unidos foi aterrorizada por um perigosíssimo casal e sua gangue, você provavelmente já viu falar deles, estamos falando de Bonnie e Clyde, o casal de bandidos mais famoso de todos os tempos.

Bonnie e Clyde se beijando

A história do casal de criminosos começou em 1930 quando Bonnie e Clyde se conheceram. Quando eles se conheceram se apaixonaram imediatamente, na época Bonnie, cujo nome era Bonnie Elizabeth Parker, era garçonete e estava casada desde quando estava prestes a completar 16 anos com Roy Thornton, mas seu marido estava preso por roubo, mas mesmo estando com Clyde, ela usou a aliança de casamento até sua morte. Ao conhecer Clyde começava a vida no mundo do crime de Bonnie.

Bonnie Elizabeth Parker
Bonnie Parker(à esquerda) e seu marido, Roy Thornton

Já Clyde Chestnut Barrow havia entrado no crime cedo, ele foi preso pela primeira vez aos 16 anos após fugir da polícia ao ser parado por ter alugado um carro e não ter devolvido à locadora, depois foi preso outra vez com seu irmão Buck por roubar perus de uma propriedade, ele seguiu praticando furtos e roubos.

Clyde Chestnut Barrow em foto de quando foi preso em 1926

Bonnie e Clyde nasceram em famílias pobres e na época em que se conheceram os Estados Unidos estava vivendo a Grande Depressão, crise econômica que arrasou a economia americana. Ele nasceu em 24 de março de 1909 e ela em 1 de outubro de 1910. Após se conhecerem, Clyde acabou preso por roubo de carro e passou dois anos na cadeia, onde passou por um tratamento horrível. Bonnie sempre o visitava e até levou um revólver para ele fugir da prisão. Clyde chegou a fugir, mas foi recapturado. Após sair da prisão em 1932, Clyde se uniu a Bonnie novamente. Mas após um assalto, Bonnie acabou presa e ficou dois meses na prisão. Depois, Clyde, Bonnie, o irmão de Clyde e outros bandidos formaram uma quadrilha, chamada de Barrow Gang. que tocou o terror nos estados centrais dos Estados Unidos, assaltando bancos, lojas e postos de gasolina e assassinando policiais e civis que se colocassem no seu caminho. A gangue de Bonnie e Clyde matou cerca de 13 pessoas em suas ações criminosas.

Bonnie e Clyde
Bonnie apontando uma arma para Clyde

Embora Bonnie apareça em fotografias segurando armas e fumando, ela não usava armas, não sabia atirar, nem fumava.

Bonnie com um revólver e um charuto na boca

Em 1934, a policia do Texas entregou o caso a Frank Hamer, um ranger de cinquenta anos. Ele elaborou um audacioso plano para capturar o casal. Pelo plano de Hamer a policia teria que convencer um dos criminosos cúmplices de Bonnie e Clyde a passar informações para a policia, e eles conseguiram, o criminoso Henry Methvin aceitou colaborar em troca do perdão de todos os seus crimes no estado do Texas.

Frank Hamer liderou a caçada final à Bonnie e Clyde

O informante contou a Hamer que o casal fazia várias viagens do centro do Texas até a fazenda da família de Methvin, em Louisiana.

Henry Methvin aceitou colaborar com a policia e entregou informações
que levaram às mortes de Bonnie e Clyde

Hamer montou uma equipe com cinco policiais destacados do Texas e de Louisiana. Eles montaram uma emboscada em uma estrada rural perto de Sailes, Louisiana e se esconderam atrás de arbustos durante dois dias a espera do casal. Historiadores dizem que durante a espera os policiais se desentenderam várias vezes sobre como deveria ser a abordagem, os policiais da Louisiana queriam dar a oportunidade de o casal se render, já os texanos queriam entrar para matar os dois. A opinião dos texanos saiu vencedora e em 23 de maio de 1934 eles interceptaram o carro do pai de Henry Methvin, que viajava à frente do casal, e obrigaram-no a parar o carro no acostamento da estrada. Alguns minutos depois apareceu o carro de Bonnie e Clyde, o famoso V8 cinzento. De tão tranquilos nem pareciam criminosos, ela comia um Sanduíche e ele estava dirigindo descalço. No carro traziam quatro espingardas de utilização militar, uma pistola e uma caixa com dez a doze armas diferentes. Ao verem o carro do pai de Methvin parado encostaram o carro, na sequência os policiais começaram a disparar uma rajada de tiros, uma das balas atingiu Clyde na cabeça e ele teve morte instantânea, eles se aproximaram do carro e Bonnie, que ainda estava viva, apenas gritava de dor, Frank Hamer aproximou-se e deu dois tiros à queima roupa e à matou. Hamer explicou porque matou Bonnie: “Odeio rebentar a cabeça a uma mulher, especialmente quando está sentada, mas se não tivesse sido ela, tínhamos sido nós”.

Carro de Bonnie e Clyde cheio de marcas de bala
Bonnie e Clyde mortos dentro do carro após emboscada da policia
Carro em que Bonnie e Clyde morreram
Multidão cerca o carro metralhado de Bonnie e Clyde

Há quem diga que foram disparados 187 tiros contra o casal.

Criminosos famosos, no funeral de Bonnie e Clyde compareceram centenas de pessoas.

Bonnie(à direita) e Clyde mortos
A jaqueta de Clyde cheia de marcas de tiro
Bonnie morta
No carro de Bonnie e Clyde foram encontradas muitas armas e munições
Os seis policiais que mataram Bonnie e Clyde

O casal de criminosos virou uma lenda e personagem de cinema e em 1967 foi produzido o filme Bonnie e Clyde - Uma Rajada de Balas, que foi um sucesso, sendo indicado a 10 Oscars, dos quais ganhou dois e faturou U$ 70 milhões de dólares de bilheteria. A Netflix também produziu um filme em 2019 sobre a dupla.

terça-feira, 7 de julho de 2020

A seita Templo do Povo e o maior suicídio em massa da história

Em 1955, o americano Jim Jones criou em Indianápolis, estado de Indiana, nos Estados Unidos, o Templo do Povo dos Discípulos de Cristo(Templo do Povo), uma seita cristã com ideais socialistas, que pregava a igualdade racial. Em 1965, Jones começou a transferir a seita para a Califórnia e em 1972 mudou a sede para São Francisco, ele criou vários locais de culto no estado. A seita cresceu muito desde sua fundação e, segundo estatísticas dela mesma, chegou a ter mais de 20 mil membros, 70 a 80% eram afro-americanos pobres, inclusive manteve relações com políticos da esquerda americana, a primeira-dama Rosalynn Carter, por exemplo, encontrou-se várias vezes com ele.

Jim Jones, o fundador e líder da seita Templo do Povo
Jim Jones

Em 1973, a seita se viu mergulhada em denúncias feitas por desertores e surgiram relatos de ex-membros de que haviam planos e simulações de suicídio coletivo.

Buscando fugir dos holofotes da imprensa, Jim Jones resolveu sair dos Estados Unidos, ele conseguiu autorização do governo da Guiana para instalar um projeto agrícola no meio da floresta amazônica. Em 1974, ele arrendou terras na Guiana, próximo a Port Kaituma. Ele pretendia criar uma comunidade agrícola autossustentável no lugar e em 1977 chegaram os primeiros 50 residentes, em 1978 já eram mais de 900, 68% eram afro-americanos.

Localização de Jonestown, na Guiana
Casas em Jonestown

No entanto, o lugar não era adequado, pois tinha o solo pobre e havia escassez de água, o lugar era considerado superpovoado devido a escassez de recursos nas proximidades para manter tanta gente.

Jim Jones
Negros eram a maioria dos membros da seita Templo do Povo / Imagem: Nancy Wong
Jim Jones recebendo o Prêmio Humanitário Martin Luther King Jr.
 do pastor Cecil Williams, em 1977

Preocupados, parentes de membros da seita procuraram o deputado federal da Califórnia Leo Ryan. Ele conseguiu autorização do congresso e fez uma viagem para a Guiana levando consigo uma comitiva da qual fazia parte repórteres, eles iriam ver pessoalmente a situação dos mais de 900 americanos integrantes da seita que viviam em Jonestown, haviam denúncias contra Jones, como sequestro de crianças filhas de ex-membros da seita e de que as pessoas eram mantidas sob ameaça e na miséria em Jonestown.

O deputado Leo Ryan foi assassinado pela seita Templo do Povo

Após ser muito bem recebido em 17 de novembro de 1978 e ter tido uma boa impressão do lugar, no dia seguinte alguns membros desertaram e pediram ajuda ao deputado para voltar aos Estados Unidos, à tarde Ryan acabou sendo atacado a faca e resolveu ir embora. Quando Leo Ryan e sua comitiva estavam na pista de pouso de Port Kaituma foram atacados a tiros por seguranças de Jim Jones. Ryan e mais quatro pessoas, incluindo uma mulher que desertou da seita, morreram.

O avião em que Leo Ryan e sua comitiva embarcariam e foram atacados a tiros / Imagem: David Hume Kennerly

Suicídio

Mais tarde em Jonestown, Tim Jones e outros membros passaram a defender que todos cometessem suicídio. Em uma gravação de áudio encontrada pelo FBI, Jones disse para os membros da seita que após os assassinatos do deputado Leo Ryan e repórteres a União Soviética não iria mais levá-los para lá. Jones havia negociado um êxodo com os soviéticos que deveria ocorrer em alguns meses. Jones chamou o ato de "suicídio revolucionário".

Corpos ao redor do pavilhão principal de Jonestown / Imagem: David Hume Kennerly

Quando os membros gritaram, Jones disse: "Parem com essa histeria! Este não é o caminho para as pessoas que são socialistas ou comunistas morrer. Este não é o jeito que nós vamos morrer. Devemos morrer com um pouco de dignidade." Ele disse ainda que "não tenha medo de morrer", porque para ele a morte é "apenas uma passagem para outro plano" e que ela é "uma amiga". No final da gravação ele diz que "Nós não cometemos suicídio; cometemos um ato de suicídio revolucionário para protestar contra as condições de um mundo desumano.".

Corpos dos membros da seita Templo do Povo / Imagem: David Hume Kennerly
Corpos dos membros da seita Templo do Povo / Imagem: David Hume Kennerly
Corpos dos membros da seita Templo do Povo / Imagem: David Hume Kennerly

No total 909 habitantes de Jonestown, entre eles 304 crianças, morreram envenenadas, eles tomaram cianeto. Além das pessoas mortas em Jonestown e dos cinco mortos da comitiva do deputado Leo Ryan, outros quatro membros da seita foram mortos na capital da Guiana, Georgetown, por ordem de Jim Jones, totalizando 918 mortos.

Corpos dos membros da seita Templo do Povo / Imagem: David Hume Kennerly
Corpos dos membros da seita Templo do Povo / Imagem: David Hume Kennerly

O suicídio coletivo tinha sido ensaiado em eventos de simulações chamados "Noites Brancas".

Jones morreu com um tiro na cabeça, acredita-se que foi suicídio.

Corpos dos membros da seita Templo do Povo / Imagem: David Hume Kennerly

Suicídio ou massacre

Embora o caso tenha ficado conhecido como um suicídio coletivo existem muitas dúvidas sobre se o que aconteceu foi realmente suicídio. Muitos acreditam que o que ocorreu foi um massacre. Segundo o primeiro médico que atendeu a ocorrência, a maioria das pessoas foram assassinadas, porque 83 das 100 vítimas que ele examinou tinham perfuração de agulha por trás dos ombros, o que indica que o veneno foi injetado contra a vontade. Além disso, sobreviventes disseram que ouviram gritos e tiros quando estavam escondidos na floresta e que guardas armados impediram a fuga de quase todos que tentaram fugir.

Copos e seringas, muitos acreditam que as seringas foram usadas para injetar o veneno 
de forma forçada nas pessoas / Imagem: Reprodução

O evento de Jonestown é o maior suicídio coletivo da história moderna e foi o maior evento que resultou em mortes em massa de civis americanos até os atentados de 11 de setembro de 2001.

Segundo o fotógrafo David Hume Kennerly, este é o corpo de Jim Jones, o líder da seita /
Imagem: David Hume Kennerly

Após as mortes em massa, Jonestown foi completamente abandonada e recuperada pela floresta.

domingo, 28 de junho de 2020

Heaven's Gate, a seita que se suicidou na passagem do cometa Hale-Bopp em 1997

A capacidade de pensar e criar ideias é talvez a mais impressionante habilidade dos seres humanos, as pessoas usam essa habilidade para os mais diferentes fins, muitos a usam para o progresso da humanidade, como a ciência, mas tem muitos outros que a usam para coisas aparentemente absurdas como, por exemplo, as mais estranhas crenças religiosas. E, acredite, com bilhões e bilhões de cérebros por aí tem gente para acreditar em tudo que é coisa e crença, por exemplo, os hindus em pleno século 21 ainda acreditam que a vaca é sagrada. E é no meio dessa infinidade de crenças e pensamentos que surgem as chamadas seitas. E em 1997 uma dessas seitas sem sentido surpreendeu o mundo ao cometer suicídio coletivo durante a passagem do cometa Hale-Bopp.

Marshall Applewhite, fundador da seita Heaven's Gate

Tudo começou em 1972 quando Marshall Applewhite, um ex-professor de música, conheceu Bonnie Nettles e se tornaram amigos íntimos. Devido a forte intimidade entre os dois, Applewhite chegou a conclusão de que eles já se conheciam de outra vida, Nettles, que era enfermeira e era interessada em teosofia e profecias, disse que o encontro deles foi previsto por alienígenas, e Applewhite concluiu que ele havia recebido uma missão divina.

A partir daí eles estudaram a vida de São Francisco de Assis, leram livros de autores, como a teosófica Helena Blavatsky, eles tinham uma copia da Bíblia do Rei Jaime e estudaram passagens do Novo Testamento, Applewhite também lia obras de ficção científica.

Bonnie Nettles, cofundadora da seita Heaven's Gate

Em 1974, eles concluíram que foram escolhidos para cumprir profecias bíblicas e que receberam mentes superiores as de outras pessoas e ainda que eram as duas testemunhas descritas no livro de Apocalipse e fizeram visitas a igrejas e grupos espirituais para falarem sobre suas identidades, apresentando-se como "Os Dois" ou "A Dupla OVNI". Eles pensavam que morreriam e teriam a vida restaurada, depois seriam transportados para uma espaçonave, tudo isso na frente de outras pessoas, este evento foi chamado de "a Demonstração" e seria a prova concreta de todas as suas afirmativas. Escreveram um panfleto que descrevia a reencarnação de Jesus como sendo um homem do Texas, sugerindo que a reencarnação seria Applewhite.

Eles acreditavam na existência de um planeta que seria habitado por seres superiores aos humanos, eles chamavam esse planeta de o Próximo Nível. Passaram a tentar contatar extraterrestres e procuraram por pessoas que pensassem como eles. Aos escolhidos para serem seus discípulos, os quais chamavam de "tripulantes", diziam serem representantes de seres de outro planeta que procuravam  participantes para um experimento e quem participasse ascenderia a um nível evolucionário ainda maior.

Acreditavam que tinham que abandonar a Terra imediatamente, pois seria a única forma de sobreviver ao processo de reciclagem que o planeta passaria, a terra seria limpa, renovada e rejuvenescida.

Marshall Applewhite e Bonnie Nettles

Suas crenças passavam por modificações, por exemplo, mudando a forma de uma pessoa poder acessar o Próximo Nível, para isso deram mais enfase sobre satanás e adotaram conceitos da New Age, da qual adotaram a ideia do astronauta ancião, segundo a qual extraterrestres visitaram o nosso planeta em um passado distante, e passaram a acreditar que "alienígenas plantaram as sementes da humanidade atual há milhões de anos atrás e estariam voltando para colher o resultado do seu trabalho em forma de indivíduos evoluídos espiritualmente que tomariam a frente dos futuros cosmonautas. mas apenas algumas pessoas seriam escolhidas e elas teriam que participar da Heaven's Gate e seguir as crenças de Applewhite e Nettles e realizarem os sacrifícios necessários para serem membros da seita e assim poder serem escolhidas. O resto da humanidade seria deixada para trás para morrer na atmosfera tóxica de um mundo corrupto.

Colocavam os nomes que adotavam antes do nome de nascimento, o que os definiam como "filhos do Próximo Nível". Também acreditavam que para serem escolhidos para o que chamavam de Próximo Nível teriam que se livrar de qualquer coisa que os vinculassem ao planeta, como suas famílias, amigos, sexualidade, individualidade, empregos, dinheiro e posses. Applewhite e outros sete homens da seita passaram por um processo de castração para ficarem livres de sexualidade.

Embora inicialmente fossem contra o suicídio, mudaram o sentido de "suicídio" passando significar "passar para o Próximo Nível quando receber uma chance".

Antes de adotarem o no nome Heaven's Gate a seita teve vários outros nomes, um dos mais conhecidos foi "Metamorfose Humana Individual". Applewhite e Nettles também adotaram pseudônimos diferentes ao longo dos anos, como "Bo e Peep" e "Do e Ti".

Nettles morreu em 1985 por causa de um cancer, devido a doença ela teve que fazer uma cirurgia para retirar um olho em 1983. Applewhite disse para seus seguidores que Nettles havia "viajado para o próximo nível", porque a permanência na Terra gastava muita energia, por isso abandonou seu corpo para fazer a jornada para o Próximo Nivel . Applewhite foi bem sucedido ao explicar a morte de Nettles com base na doutrina da seita e apenas um membro deixou o grupo. Com a morte dela Applewhite ficou deprimido, mas ganhou apoio dos membros da seita. Ele achava que ainda tinha mais a aprender e que Nettles ocupava "um papel espiritual mais alto" do que ele, por isso ela havia morrido antes. Ele passou a identificá-la como "o Pai" e frequentemente se referia a ela com pronomes masculinos.

Suicídio

Em 19 e 20 de março de 1997, Marshall Applewhite fez vídeos falando sobre suicídio em massa, segundo ele, o suicídio seria a única forma de evacuar o planeta. Ele disse para seus seguidores que uma nave espacial extraterrestre estava seguindo o cometa Hale–Bopp, que na época estava se aproximando da Terra, e que Nettles estaria nesta nave, Applewhite os incentivou a cometer suicídio porque assim suas almas subiriam abordo da nave, que os levaria para um "nível de existência acima do humano". Em 1996, eles compraram seguros de abdução alienígena para cobrir a vida de cinquenta membros pelo custo de $10.000

O cometa Hale–Bopp visto em 1997 / Imagem: Jerry Lodriguss

Eles alugaram uma mansão em Rancho Santa Fe, San Diego, Califórnia, pagando $7.000 por mês e no dia 26 de março de 1997 Applewhite e outros 38 membros da seita foram encontrados mortos na casa. Os corpos de muitos já estava em decomposição. Apenas Rio DiAngelo/Richard Ford não cometeu suicídio.

Policia em frente a mansão onde os membros da Heaven's Gate se suicidaram em 1997

Eles tomaram fenobarbital misturado com suco de maçã e vodka, eles colocaram sacolas plásticas em suas cabeças após ingerir a mistura, para induzir a asfixia. As autoridades encontraram os corpos estirados em seus próprios beliches, faces e toráxes cobertos por um pedaço de tecido roxo.

Eles estavam mortos em seus beliches com pano roxo sobre o rosto

Cada membro carregava uma nota de cinco dólares e três moedas de vinte e cinco centavos em seus bolsos: a nota de cinco dólares era para cobrir multas de ociosidade enquanto os membros estavam ausentes de seus trabalhos, enquanto as moedas seriam para fazer ligações telefônicas. Eles mantiveram isso nos bolsos no momento da morte como forma de humor negro. Todos os 39 estavam vestidos com camisas pretas, calças de ginástica, tênis novos da marca Nike e patches nos ombros com os dizeres "Heaven's Gate Away Team" (uma espécie de referência a série Star Trek).

Heaven's Gate / Imagem: Reprodução
Eles estavam com roupas iguais e usavam o mesmo tênis da Nike

Os adeptos tinham idades entre 26 e 72 anos e morreram em três grupos durante três dias consecutivos. Quinze membros faleceram no dia 24 de março, mais quinze no dia 25 de março e nove no dia 26. O líder Applewhite foi o antepenúltimo membro a falecer; duas mulheres continuaram após sua morte e foram as únicas encontradas sem sacolas plásticas nas cabeças.

Policia recolhendo os corpos dos membros da Heaven's Gate

Entre os mortos, estava Thomas Nichols, irmão da atriz Nichelle Nichols, que é conhecida pelo seu papel de Uhura na série original para televisão de Star Trek.

Heaven's Gate

Dois ex-membros do Heaven's Gate, Wayne Cooke e Charlie Humphreys, mais tarde cometeram suicídio de forma similar. Humphreys sobreviveu a um pacto suicída com Cooke em maio de 1997, mas se matou em fevereiro de 1998.

domingo, 21 de junho de 2020

O mistério do Evento de Tunguska, ocorrido em 1908

Já fazem 66 milhões de anos que o último cometa se chocou com a Terra e extinguiu os dinossauros, mas todo dia milhares de pequenos meteoros entram na atmosfera terrestre e de tempos em tempos alguns com tamanhos maiores são atraídos para o planeta causando fenômenos que surpreendem a humanidade. Há mais de 100 anos atrás ocorreu um desses impressionantes fenômenos e que ainda hoje causa especulações e teorias sobre a queda do meteoro. Esse fenômeno que intriga a humanidade até hoje é chamado de Evento de Tunguska.

Foto de 1927 mostra árvores caídas após o Evento de Tunguska que ocorreu em 1908

Era por volta de 7 horas da manhã do dia 30 de Junho de 1908 quando os moradores da região da Sibéria, na Rússia, próximo ao rio Podkamennaya Tunguska, viram uma coluna de luz azulada, uma bola de fogo, quase tão brilhante quanto o Sol cortando o céu. Em seguida ocorreu uma grande explosão e mais de 2150 km² de floresta foram destruídos, além disso estima-se que provocou um terremoto de 5 graus na escala Richter. A explosão foi tão grande que as pessoas ouviram e foram jogadas ao chão pela onda de choque mesmo estando a mais de 60 km de distância e foi detectada por estações sísmicas na Eurásia. Nos dias seguintes ao evento os céus da Rússia e da Europa ficaram brilhantes durante a noite e com um pôr do sol colorido.

Mapa mostra a localização(ponto vermelho) do Evento de Tunguska

Desde o evento se criou um grande mistério sobre o que realmente teria acontecido em Tunguska, isso porque, embora a enorme explosão e destruição causada, não foi encontrada nenhuma cratera no local e nem mesmo pedaços do meteoro. Desde então muitas teorias surgiram.

Uma dessas teorias diz que o objeto que explodiu em Tunguska era um cometa de gelo que foi evaporizado na entrada na atmosfera e na explosão, o que explicaria o fato de não ter sido encontrado uma cratera nem pedaços dele.

Já uma teoria mais recente diz que o evento foi causado por um asteroide que era de ferro e passou apenas raspando pela Terra entre 10 e 15 km de altitude, a uma velocidade de 72 mil km/h, a destruição da floresta teria sido causada pela onda de choque da passagem do asteroide, que teria voltado ao espaço sem se partir.

Durante muito tempo a teoria mais aceita indicava que o meteorito de Tunguska tinha cerca de 36 metros de diâmetro, entrou na atmosfera da Sibéria e explodiu no céu, sua velocidade foi estimada em 53 mil km/h, a temperatura atingiu 24 mil ºC e não houve cratera porque a maior parte do meteorito foi consumida durante a entrada na atmosfera.

Foto de 1927 mostra a destruição da floresta causada pelo Evento de Tunguska

Em um estudo recente, usando simulações de computador e baseando-se nos relatos de testemunhas, na destruição causada, na ausência de cratera e usando um dos últimos modelos matemáticos, que descreve realisticamente como meteoritos se desintegram e queimam na atmosfera, cientistas da NASA e russos puderam calcular a potência aproximada da explosão, a velocidade, o tamanho, a massa e a densidade do asteroide. Segundo os cientistas, foram calculados 50 milhões de cenários e concluíram que o asteroide de Tunguska era maior do que o que se estimava antes, ele tinha cerca de 75 metros de diâmetro, sua explosão tinha a potência aproximada de uma bomba atômica de cerca de 20 megatons, ele provavelmente se desintegrou e explodiu a uma altitude entre 12 e 17 quilômetros, dando à zona afetada um diâmetro entre 5 e 12 quilômetros.

Mas há também quem diga que o Evento de Tunguska foi na verdade o resultado de um experimento feito por Nikola Tesla. Segundo essa teoria, Tesla estaria fazendo experimentos com energia eletromagnética em seu laboratório nos Estados Unidos, a milhares de quilômetros de distância de Tunguska.

Árvores derrubadas pelo Evento de Tunguska, foto de 1929

O testemunho de S. Semenov, que estava a 65 km da explosão, à expedição de Leonid Kulik em 1930 mostra como ocorreu o evento:

"Na hora do café da manhã, eu estava sentado ao lado da casa no Posto Comercial Vanavara [65 quilômetros ao sul da explosão], voltado para o norte. […] De repente eu vi isso diretamente ao norte, sobre a estrada Tunguska de Onkoul, o céu se partiu em dois e o fogo apareceu alto e largo sobre a floresta [como Semenov mostrou, cerca de 50 graus acima - nota de expedição]. A divisão no céu cresceu e todo o lado norte estava coberto de fogo. Naquele momento fiquei tão quente que não pude suportar, como se minha camisa estivesse em chamas; do lado norte, onde o fogo estava, veio um forte calor. Eu queria arrancar minha camisa e jogá-la, mas então o céu se fechou e um baque forte soou e eu fui arremessado alguns metros adiante. Eu perdi meus sentidos por um momento, mas então minha esposa correu e me levou para a casa. Depois disso veio um ruído, como se pedras estivessem caindo ou canhões disparassem, a Terra tremeu e, quando eu estava no chão, pressionei minha cabeça para baixo, temendo que as pedras a esmagassem. Quando o céu se abriu, um vento quente correu entre as casas, como se viessem de canhões, que deixaram rastros no chão como caminhos e danificaram algumas colheitas. Mais tarde, vimos que muitas janelas estavam quebradas e, no celeiro, uma parte da fechadura de ferro se partiu."

Segundo cientistas do Instituto SETI (EUA) e russos do Instituto de Astronomia e do Instituto da Dinâmica da Geosfera da Academia de Ciências da Rússia, apenas cerca de 30 pessoas estavam na zona da queda do meteorito, eles chegaram a essa conclusão analisando mais de 700 relatos feitos por testemunhas, incluindo as histórias dos criadores de renas, registradas por pesquisadores soviéticos. Nos relatos foram mencionadas os nomes de quase dois mil habitantes da região da Sibéria Oriental, com base nisso os cientistas acreditam que apenas 30 estavam na zona da queda. Nenhuma morte em razão da queda do asteroide foi confirmada.

Estima-se que um evento como o de Tunguska ocorra na Terra a cada 300 anos.